
Os elevadores que correspondem o Príncipe Real com a Praça dos Restauradores pela Calçada da Glória sofrem, de quando em vez, uma assombração de arte urbana. Estes senhores que julgam assumidamente cometer arte quando deixam a sua marca, conseguem , para além da marca, deixar uma imundisse que se arrasta para lá do feio. O problema do tag associado ao graffiti existe pela cidade fora, à semelhança das pessoas que o executam. Que isto existe, todos sabemos. A questão está em encontrar medidas que minimizem o risco de isto acontecer, especialmente em verdadeiros ícones da cultura estética Lisboeta, como é o caso dos elevadores, mais especificamente o Elevador da Glória. Ao à-vontade extremo com que estas pessoas sujam este tipo de infra-estruturas, junta-se a pouca inteligência da Carris, numa tentativa de combate a este acto vândalo. O que aqui acontece é uma teimosia bivalente. E porque nunca há só um teimoso, o "artista" tagga, a carris pinta. Maravilhoso! O que eles querem são enormes planos amarelo-canário onde deixar a sua marca a negro, uma eoutra vez, quantas vezes lhes forem permitidas. A Carris parece simpática no apoio a esta "arte". Não querendo ser pretensiosa, tem o revólver apontado à própria cabeça. Para além de fazer a vontade a estas pessoas, limpando o que marcaram na semana passada para que o possam fazer de novo, gastanto litros e litros de tinta amarela, fazem o amável favor de deixar os elevadores estacionados, quando fora do horário de funcionamento, mesmo a meio da calçada (o círculo vermelho no mapa indica o sítio onde ficam estacionados durante toda a noite).

Ora como se não bastasse estarem limpinhos, a chamar por tags, estão estacionados no meio da calçada, em paralelo, para que o invasor possa sentir o maior conforto longe dos olhos da condenação alheia. Assim, subir ou descer até meio da Calçada da Glória e dar de caras com dois elevadores imaculados, acasalados num silêncio despovoado é apenas o maior dos estímulos para que isto aconteça vezes sem cessar.
Melhor seria deixar um elevador no topo da Calçada, perto do miradouro de S. Pedro de Alcântara e o outro na sua outra extremidade, junto aos Restauradores. Assim poderiam não apenas ser admirados e fotografados pelos visitantes que gostam de Lisboa e que recordam estes ícones, como estariam mais próximo de sítios constantemente povoados de olhares condenadores, desencorajando estes actos menos próprios e que, sejamos claros, em nada embelezam nenhuma das suas telas.
Estes domínios mostram que o pensamento de design contribui em muito para a segurança. Uma mudança simples e desprovida de investimento financeiro pode fazer com que o infractor se sinta desencorajado a cometer a infracção. Empresas como a Carris têm obrigação de inovar neste sentido mas, ao que parece, o designer desta empresa tem um contrato com as Tintas Barbot e não um sentido solucionador para responder a este tipo de situações.
Porque, para todos os efeitos, pessoas que insistem em sujar e canetas faísca existem de facto e vão continuar a existir. Já as latas de tinta amarelo-canário... Parece-me finito!
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