sábado, 22 de agosto de 2009

mexe.te

Pelo meio de uma amargura desconfortável, própria de quem é recém licenciado sem um sorriso sobre aquilo que vai acontecer, surge a ironia de um artigo de Marco Sousa Santos, designer português, que parece ter-me ouvido alguns medos e ideais;

"Muito se fala da crise e pouco de estratégia! Todos nós, designers, sabemos que se os industriais portugueses tivessem visão recorriam ao design como a ferramenta ideal para estrategicamente promover e valorizar a produção nacional no mercado global. Mas, definitivamente, Portugal não tem uma cultura de design e na sua política de promoção institucional os erros sucedem-se e uma estratégia para o design nunca foi seriamente planeada a nível nacional. Não que não se gaste dinheiro em design, até se gasta, mas mal... várias entidades têm consumido fundos de promoção ao design mas não o fizeram de forma efectiva, falharam objectivos, planeamento e concertação... e somos todos culpados... Por isso, as escolas de design continuam a lançar anualmente milhares de designers para um ercado incapaz de os compreender, no seu papel e na ferramenta de competitividade que a nossa actividade representa. (...) Este artigo é um apelo! Aos dsigners e famílias, aos professores de design e pacientes alunos. Aos jovens designers e também aos antigos. Organizem-se e combatam a inércia, façam projectos, arranjem sponsors, constituam uma empresa na hora. Lembrem-se que das ideias, das experiências, da interdisciplinaridade, nasce a inovação e, mesmo que em pequena escala, é disso que Portugal precisa. Se o "campus do design" é o mercado, então estamos como peixes na água e não temos medo de conceber, produzir e distribuir por esse mundo fora o que esse mundo necessita. Não procurem empregos, criem-nos. Esqueçam os empresários, sejam um deles, afirmem-se pelas ideias, pela atitude, pela coragem de inventar a alternativa produtiva através das tecnologias digitais. Sejam humildes exigindo o impossível, organizem-se em "bandos" e conquistem o mundo... Aproveitem o que Portugal tem de bom e ponham os atrtesãos a trabalhar convosco... Experimentem produzir em pequenas séries e vender directamente às lojas, apenas têm de ganhao o dobro do que gastaram e reinvestir tudo. (...) Não conversem tanto; ajam, estrebuchem, construam, façam asneiras com os materiais, gastem o dinheiro das férias em experiências e protótipos. Reinventem os clássicos, elaborem um plano, aprendam com os artistas, comuniquem como os políticos, iludam como os mágicos. Se não têm dinheiro façam biscates, cravem a família e com esses míseros euros arrisquem uma pré-série de um qualquer objecto por vós inventado, dêem-lhe um nome, façam uma brochura e partam à descoberta do mercado. Desculpem o à-vontade mas pode funcionar... No design vale tudo... desde que seja bom!" artigo retirado da blue design 6C 2008

Demasiado optimista ou realista ou mesmo surrealista, é um facto que se desenhou um sorriso em mim... e revi o que escrevi pela primeira vez no designation; "get excited and make things!"