quinta-feira, 9 de julho de 2009

Portuguese Design?

Embrenhada no pensamento do design português, de uma forma que já vem sendo habitual, atentando aos pormenores e decifrando algumas indústrias esquecidas por aí, lembrei-me deste pequeno objecto, sem saber se a sua criação pode ou não ser atribuída a Portugal, a um artesão qualquer que, por encomenda e através das bocas do povo fez chegar a todas as escolas a temível menina dos cinco olhos, sempre pronta a manter a ordem ao serviço do professor, outrora respeitado como jamais voltará a ser. Este é um assunto que pode parecer promissor no que toca ao desvendar de alguns objectos presentes na história do ensino português ao longo de todo o século XX. É incrível pensar que este objecto foi criado com o simples e único objectivo de sovar as mãos de alunos da escola aquando de alguma desordem, fosse ela qual fosse, utilizado pelas mais variadas razões, as mais e as menos razoáveis. A menina dos cinco olhos, também conhecida como a palmatória ou Santa Luzia pode bem ser atribuída a uma criação portuguesa do Estado Novo, ninguém nega que imagina tal cenário para a utilização de tal coisa, imaginando também que tenha sido abolida por volta de 1974, substituída por outros utensílios como a régua, que não tinha uma conotação unicamente violenta (só para alguns alunos).
Vou tentar investigar algo mais sobre este objecto absolutamente eficaz, com todo o mérito na função para que foi criado, caindo pesado sobre aqueles que davam "as mãos à palmatória".


3 comentários:

  1. Pois. Há pouco me esqueci-me de te dizer que é importante continuares a fazer isto. É um exercício muito útil.
    Eu virei cá visitar-te.

    p.

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  2. Conheço de experiência própria M.. Se não foi inventado por um português (por acaso duvido) foi usado com grande raiva por muitos portugueses para mostrar quem mandava.
    Em algumas escolas, os professores "castigavam" (algumas, algumas, e alguns professores!), usavando este instrumento para impôr um respeito que, hoje como ontem, ganha-se de outras formas. Mas, havia outros usos para a tal menina "super-óptica" para tua informação.
    Muitos defensores do "império" já se esqueceram, ou não lhes convém lembrar, mas em África, no final dos anos 50 --pelo menso pela minha experiência--, não era só na escola que o instrumento era usado. A tropa usava a palmatória para "castigar" os africanos mais irrequietos.
    Usava-se uma versão maior (era uma coisa medonha), tipo "turbo", com cerca do dobro ou o triplo do tamanho da versão escolar.
    O número de palmatoadas também acompanhava o aumento da escala do instrumento. Podiam ser 200 ou 300, consoante a gravidade da "insurreição". Normalmente aplicadas por algum rival de outra etnia...
    As mãos dos insurrectos ficavam do tamanho de balões que era "esvaziadas", pisando-as para soltarem a água e o sangue que se formava.
    Uma visão muito "agradável", que explica muito do que depois se veio a passar.
    Não foram certamente só os portugueses que usaram métodos condenáveis para "civilizar o indígena", nem, seguramente, os mais sanguinários e selvagens. Nem o problema terminou. Hoje, como ontem, a tentação de usar a força sobre o mais fraco, ou o "diferente" continua.
    Mas, temos de reflectir muito seriamente sobre tudo isto e, sobretudo, não condescender nunca sobre os princípios a aplicar.
    Ah... e não substituir as meninas de 5 olhos por outras formas de pressão, aparentemente inóquas, mas quiçá até mais violentas.
    Desculpa o arrazoado, mas vem mesmo a propósito de design...

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