quinta-feira, 18 de junho de 2009

Snow White's Dailly Life


"The happily ever after replaced with a realistic outcome..."


Espreitem o fabuloso trabalho fotográfico de Dina Goldstein em http://www.jpgmag.com/stories/11918

sábado, 13 de junho de 2009

variações


Passam hoje 25 anos do dia em que morreu António Variações, aquele que todos consideram o primeiro artista pop português, projectista vocal da cultura popular do nosso pequenino país. A esteira popular em que se fez notar e tornar-se no mais excêntrico artista do início dos anos oitenta parece vincular-se ainda mais quando percebemos que morreu no dia de Santo António, ao largo da marcha Lisboeta, no embrenho da sardinhas, dos pimentos e dos pregões.
Variações, apesar das suas influências que sugerem tanto Braga como Nova York, veio definir muitas das características musicais portuguesas, relativamente ao que se passaria a fazer após o ano da sua morte. Influência nata de muitos artistas na sua arte liberta e elástica, Variações cantava a não limitação e a heterogeneidade.


É p'ra amanhã
Bem podias fazer hoje
Porque amanhã sei que voltas a adiar
E tu bem sabes como o tempo foge
Mas nada fazes para o agarrar

Foi mais um dia e tu nada fizeste
Um dia a mais tu pensas que nao faz mal
Vem outro dia e tudo se repete
E vais deixando ficar tudo igual

É p'ra amanha
Bem podias viver hoje
Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
Ai tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que está p'ra durar

Foi mais um dia e tu nada viveste
Deixas passar os dias sempre iguais
Quando pensares no tempo que perdeste
Então tu queres mas é tarde demais

É p'ra amanhã
Deixa lá não faças hoje
Porque amanhã tudo se há-de arranjar
Ai tu bem sabes que o trabalho foge
Mesmo de quem diz que quer trabalhar

Eu sei que tu andas a procurar
Esse lugar que acerte bem contigo
Do que aparece não consegues gostar
E do que gostas já esta preenchido

quarta-feira, 10 de junho de 2009

stop playing with my crayola

Às memórias vindouras de um passado longínquo, e a uma imagem que desde sempre vejo límpida e sem grão, que me acompanhou sempre na memória, nos bolsos, no chão do quarto, no chão da sala, nos ralhetes da mãe. Em casa eram intocáveis, com a consequência dos meus guinchos egoístas e infantilóides enquanto que, em contrapartida, na escola os pregava como uma religião áqueles que não a praticavam. O espírito criativo (ou falta dele) começa na liberdade da escolha.

É tão forte a sua marca que permanece e prevalece...
Por falar nisso, foi recentemente redesenhada.

about MUDE

Pessoas muito simpáticas à entrada. Um espaço que parece bastante simpático e de facto o é. Em contrapartida, e para quem já teve a felicidade de visitar alguns museus de design noutras cidades da Europa, o MUDE parece ser ainda muito pequenino no que toca ao conteúdo. Não significa que seja mau. As peças que tem são, com uma ou outra excepção, muito boas e fulcrais no panorama do design mundial e devo dizer que ver algumas daquelas peças ao vivo não é senão uma honra... Mas penso que deviam aproveitar para ali expôr e dar a conhecer algumas coisas portuguesas, algo que não se vê muito, nem mesmo no design de moda, em que já vingámos alguns nomes... Mas enfim, esperemos que venha a crescer mais um pouco nestes parâmetros (e noutros, fora das suas portas).
Enquanto passeava e enchia os olhos de coisas boas e de outras não tão boas, reparei, pelo rabinho do olho, num objecto delicioso, imaculado, maravilhoso... Então corri para ele e ali me deleitei, com vontade de me sentar e ficar a namorá-lo horas a fio... O mau dos museus, acho, é a barreira invisível (e isso torna-a pior ainda) que se estende num plano até aos céus entre o objecto e o observador... É HORRÍVEL... Não existe mas as infinitas placas onde se lê "NÃO MEXER" e o próprio bom senso, tal como as longínquas vozes que ouvíamos na infância; "não é para mexer", vêm criar uma espécie de obstáculo mental; embrenhamo-nos de tal forma naquele objecto que quando estamos quase a viajar por ele aparece uma luz vermelha e de imediato nos afastamos... Depois vem de novo a concentração naquela forma, naquele objecto, naquele tempo, naquela beleza... e de novo a luz vermelha "ESTÁS DEMASIADO PERTO!".
Mas a vontade de tocar, de passar os dedos nas suas arestas exactamente medidas, naquela geometria harmónica que faz de objectos dos anos 60 objectos absolutamente actuais, não chega nunca a desvanecer...
Às vezes uma característica infima numa pessoa faz-nos gostar dela sem percebermos bem porquê. Eu gostei do mude, sem perceber bem a realidade deste acontecimento em mim...
Vou lá voltar...
Viva o design alemão, viva aquele rigor que gela as veias!
É a minha peça favorita!
Thanks Dieter!


domingo, 7 de junho de 2009

imaginarium

Há pouco pensava no facto da industrialização se ter, ao longo dos tempos, tornado uma espécie de enfermidade do consumo... As pessoas estão fartas de produtos, de comprar e consumir objectos dos quais na maioria das vezes não necessitam sequer, alimentando caprichos ínfimos do desejo (muitas das vezes emocional).
E também por falar em emoções, quase me consegui emocionar com este objecto que encontrei por um acaso a navegar por aqui... Só porque faz parte do meu imaginário infantil, daquela película que se vai aos poucos descolando da realidade de agora, que vai desvanecendo a uma velocidade alucinante, o que faz com que a infância seja sempre, minuto a minuto, mais e mais longínqua. Eu tinha um sempre em pé azul e branco. Evan Dewhirst materializa-o num útil brinquedo gigante;

"The Buoy Chair combines simple construction and green manufacturing to create an iconic form. It promotes healthy, ergonomic sitting habits by engaging the user’s stomach and back muscles to provide stability. It also allows great lateral mobility for use at large surfaces while still providing comfort and support. Whether it lives in a classroom, studio, bar, or office, the Buoy Chair is a playful and healthy alternative to current seating options."

Se quando tinha 3 ou 4 anos (não mais), queria ser do tamanho deste objecto, é irónico que alguém o tenha produzido à minha escala aos 22.
Para mim é brilhante!




I BELIVE IN MODULARITY