
Passam hoje 25 anos do dia em que morreu António Variações, aquele que todos consideram o primeiro artista pop português, projectista vocal da cultura popular do nosso pequenino país. A esteira popular em que se fez notar e tornar-se no mais excêntrico artista do início dos anos oitenta parece vincular-se ainda mais quando percebemos que morreu no dia de Santo António, ao largo da marcha Lisboeta, no embrenho da sardinhas, dos pimentos e dos pregões.
Variações, apesar das suas influências que sugerem tanto Braga como Nova York, veio definir muitas das características musicais portuguesas, relativamente ao que se passaria a fazer após o ano da sua morte. Influência nata de muitos artistas na sua arte liberta e elástica, Variações cantava a não limitação e a heterogeneidade.
Bem podias fazer hoje
Porque amanhã sei que voltas a adiar
E tu bem sabes como o tempo foge
Mas nada fazes para o agarrar
Foi mais um dia e tu nada fizeste
Um dia a mais tu pensas que nao faz mal
Vem outro dia e tudo se repete
E vais deixando ficar tudo igual
É p'ra amanha
Bem podias viver hoje
Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
Ai tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que está p'ra durar
Foi mais um dia e tu nada viveste
Deixas passar os dias sempre iguais
Quando pensares no tempo que perdeste
Então tu queres mas é tarde demais
É p'ra amanhã
Deixa lá não faças hoje
Porque amanhã tudo se há-de arranjar
Ai tu bem sabes que o trabalho foge
Mesmo de quem diz que quer trabalhar
Eu sei que tu andas a procurar
Esse lugar que acerte bem contigo
Do que aparece não consegues gostar
E do que gostas já esta preenchido