Quem nunca passou por isto... não sei se terá já nascido. Lidar com objectos pode ser perigoso; não fisicamente falando, não da forma abrangente da integridade humana... Pode ser perigoso para a psique. Acho que jamais passei por maior terror na minha vida do que ter medo de mexer num qualquer objecto... Como é que funciona? Vou me entalar! Vais ficar com dores no pulso ou então só irritado porque achas que sabes como funciona e afinal não sabes nada e quando te apercebes disso... estás deprimido! É deste perigo que tento falar... Quando à partida não se sabe ao certo para que serve aquele objecto, ou quando já o conhecemos mas nunca lhe tocámos, ou mesmo quando sabemos que funciona mal; ainda antes de lhe lançarmos as mãos, a nossa mente dá nós sucessivos quando tenta responder às inúmeras perguntas que os reflexos, em tom de defesa, disparam simultaneamente.. Ou à falta de embalo, de fluidez que de repente o corpo toma, envergando uma dose estúpida de tensão muscular que não nos deixa agir nem perceber como aquilo realmente funciona. Por orgulho tomamos a decisão de finalmente carregar no botão, ou empurrar, ou abrir, ou o que for (não vá o objecto pensar que tem mais do que a nossa força), e, depois do desastroso resultado daquele colossal esforço físico e psicológico, sentimo-nos estúpidos porque no fundo já prevíamos aquele desfecho - um dedo entalado, a cara encharcada, a água a escaldar. Mas eu venho tentar salvar as minhas lesões invisíveis, que são as mais chatas de todas, daqueles dias em que fiquei estranhamente perturbada por achar que não sabia lidar com aquele objecto... É MENTIRA! Nenhum objecto do mundo devia criar em algum ser mortal este sentimento.. É suposto projectar para funcionar... à primeira!
Manchete do Miguel e da Ana
Até à próxima!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
todos diferentes, todos iguais!
Para quem se lembra de comer smarties e separá-los por cores, aqui está a utilização desse mesmo conceito. Em campanha contra o racismo, Annie Rossano atreve-se a fazer o oposto e misturar duas das suas cores na resolução de um novo packaging. Será o racismo que vem embalado? Ou os smarties deviam ser todos da mesma cor? Acho que não.
Non au racism!
Non au racism!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Era uma casa muito engraçada, não tinha tecto, não tinha nada


Le Grand Escalier é a nova instalação concebida pelo gabinete de arquitectura irlandês Krijn de Koning, e toma lugar no edifício Abbaye de Corbigny, em França. Foi criada no âmbito da exposição 'tour et détour?' que, numa tradução à letra pode significar vira e torna a virar, talvez, o que por sua vez nos oferece uma interpretação do acto de habitar relativamente ao habitat ou habitáculo. Será que a movimentação constante de quem sobe e desce uma escada pode ter influência no modo como sentimos a habitação? A arquitectura (efémera ou não) pode e deve ser sentida e vivida ainda que por breves instantes, ainda que em movimento. Somos seres ocupantes de um espaço tal como somos um animal de hábitos... Podemos sintetizar o aproveitamento de um vão de ecadas num espaço físico onde é efectivamente possível criar um abrigo e viver?
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