segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

no meio não está a virtude


Os elevadores que correspondem o Príncipe Real com a Praça dos Restauradores pela Calçada da Glória sofrem, de quando em vez, uma assombração de arte urbana. Estes senhores que julgam assumidamente cometer arte quando deixam a sua marca, conseguem , para além da marca, deixar uma imundisse que se arrasta para lá do feio. O problema do tag associado ao graffiti existe pela cidade fora, à semelhança das pessoas que o executam. Que isto existe, todos sabemos. A questão está em encontrar medidas que minimizem o risco de isto acontecer, especialmente em verdadeiros ícones da cultura estética Lisboeta, como é o caso dos elevadores, mais especificamente o Elevador da Glória. Ao à-vontade extremo com que estas pessoas sujam este tipo de infra-estruturas, junta-se a pouca inteligência da Carris, numa tentativa de combate a este acto vândalo. O que aqui acontece é uma teimosia bivalente. E porque nunca há só um teimoso, o "artista" tagga, a carris pinta. Maravilhoso! O que eles querem são enormes planos amarelo-canário onde deixar a sua marca a negro, uma eoutra vez, quantas vezes lhes forem permitidas. A Carris parece simpática no apoio a esta "arte". Não querendo ser pretensiosa, tem o revólver apontado à própria cabeça. Para além de fazer a vontade a estas pessoas, limpando o que marcaram na semana passada para que o possam fazer de novo, gastanto litros e litros de tinta amarela, fazem o amável favor de deixar os elevadores estacionados, quando fora do horário de funcionamento, mesmo a meio da calçada (o círculo vermelho no mapa indica o sítio onde ficam estacionados durante toda a noite).


Ora como se não bastasse estarem limpinhos, a chamar por tags, estão estacionados no meio da calçada, em paralelo, para que o invasor possa sentir o maior conforto longe dos olhos da condenação alheia. Assim, subir ou descer até meio da Calçada da Glória e dar de caras com dois elevadores imaculados, acasalados num silêncio despovoado é apenas o maior dos estímulos para que isto aconteça vezes sem cessar.
Melhor seria deixar um elevador no topo da Calçada, perto do miradouro de S. Pedro de Alcântara e o outro na sua outra extremidade, junto aos Restauradores. Assim poderiam não apenas ser admirados e fotografados pelos visitantes que gostam de Lisboa e que recordam estes ícones, como estariam mais próximo de sítios constantemente povoados de olhares condenadores, desencorajando estes actos menos próprios e que, sejamos claros, em nada embelezam nenhuma das suas telas.
Estes domínios mostram que o pensamento de design contribui em muito para a segurança. Uma mudança simples e desprovida de investimento financeiro pode fazer com que o infractor se sinta desencorajado a cometer a infracção. Empresas como a Carris têm obrigação de inovar neste sentido mas, ao que parece, o designer desta empresa tem um contrato com as Tintas Barbot e não um sentido solucionador para responder a este tipo de situações.
Porque, para todos os efeitos, pessoas que insistem em sujar e canetas faísca existem de facto e vão continuar a existir. Já as latas de tinta amarelo-canário... Parece-me finito!

DE VOLTA!

De volta à blogoesfera! Vou regressar às linhas pensantes sobre design e coisas que tais. Aprocheguem-se.
Até já!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

antítese


Este objecto tem uma componente fulcral que não passa despercebida; uma ironia destacada, diria mesmo descarada. Quantas árvores tombaram para fazer aparecer formalmente apenas uma? Ainda que seja criada a partir de lâminas de cartão que por sua vez provêm de papel reciclado, parece que a ideia de reciclar está a tomar um rumo exagerado e até, diria, efémero do ponto de vista funcional. O exercício ecológico de reciclar deve voltar-se para fins mais essenciais do design.
David Stark, de quem parte esta ideia inicial de criar objectos com lâminas de cartão reciclado, parece não ter mãos a medir no que respeita ao gasto do mesmo. Não creio que seja uma mente tão ecológica assim. Criativa, claro está, mas acaba por não respeitar alguns princípios básicos da ecologia projectual.

O site, www.davidstarksketchbook.com

sábado, 31 de outubro de 2009

dormência do intelecto

Patrocínio da fome sedenta das letras e das imagens, que disseram "vamos voltar". E vão!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

será?

Quando, há uns meses atrás, passei no Terreiro do Paço e olhei para a ala direita (junto ao rio) para ver em que pé estavam as intermináveis obras (ainda não terminadas), pus em causa a minha sanidade mental enquanto jurava a pés juntos ter visto uma pista de carrinhos de choque ali plantada. Desolhei. Olhei de novo, desta vez um pouco melhor, com uns olhinhos bem abertos e absorventes... Enganei-me! Suspiro... Mas então o que são? São os "jardins portáteis", concluí após uma (muito) breve pesquisa no google, que me veio clarificar a nova criação de Leonel Moura para aquele pedaço de Lisboa, que, não desfazendo o seu criador, me vêm lembrar os prédios coloridos de Chelas. Pior que isso, embrenhei-me mais uma vez na possibilidade de uma resposta ao design português e parece-me muito claramente que nos afastamos cada vez mais dessa hipótese. O que há de Portugal naqueles carrinhos onde nos podemos sentar ao lado de umas oliveiras plantadas? Apenas as Oliveiras e, possivelmente, as pessoas que lá se sentam. Estou desaustinada, fiquei totalmente entorpecida e baralhada com aquela forma "cogumelar" que vem lembrar alguns objectos coloridos e arredondados nada portugueses.. É uma opinião, claro está, mas não concordo com a insersão nem com a utilidade (certamente criativa, não duvido) daqueles pequenos cartoons em rivalidade com a mística sensação que podemos sentir na Praça que está mesmo ao atravessar da estrada...

sábado, 22 de agosto de 2009

mexe.te

Pelo meio de uma amargura desconfortável, própria de quem é recém licenciado sem um sorriso sobre aquilo que vai acontecer, surge a ironia de um artigo de Marco Sousa Santos, designer português, que parece ter-me ouvido alguns medos e ideais;

"Muito se fala da crise e pouco de estratégia! Todos nós, designers, sabemos que se os industriais portugueses tivessem visão recorriam ao design como a ferramenta ideal para estrategicamente promover e valorizar a produção nacional no mercado global. Mas, definitivamente, Portugal não tem uma cultura de design e na sua política de promoção institucional os erros sucedem-se e uma estratégia para o design nunca foi seriamente planeada a nível nacional. Não que não se gaste dinheiro em design, até se gasta, mas mal... várias entidades têm consumido fundos de promoção ao design mas não o fizeram de forma efectiva, falharam objectivos, planeamento e concertação... e somos todos culpados... Por isso, as escolas de design continuam a lançar anualmente milhares de designers para um ercado incapaz de os compreender, no seu papel e na ferramenta de competitividade que a nossa actividade representa. (...) Este artigo é um apelo! Aos dsigners e famílias, aos professores de design e pacientes alunos. Aos jovens designers e também aos antigos. Organizem-se e combatam a inércia, façam projectos, arranjem sponsors, constituam uma empresa na hora. Lembrem-se que das ideias, das experiências, da interdisciplinaridade, nasce a inovação e, mesmo que em pequena escala, é disso que Portugal precisa. Se o "campus do design" é o mercado, então estamos como peixes na água e não temos medo de conceber, produzir e distribuir por esse mundo fora o que esse mundo necessita. Não procurem empregos, criem-nos. Esqueçam os empresários, sejam um deles, afirmem-se pelas ideias, pela atitude, pela coragem de inventar a alternativa produtiva através das tecnologias digitais. Sejam humildes exigindo o impossível, organizem-se em "bandos" e conquistem o mundo... Aproveitem o que Portugal tem de bom e ponham os atrtesãos a trabalhar convosco... Experimentem produzir em pequenas séries e vender directamente às lojas, apenas têm de ganhao o dobro do que gastaram e reinvestir tudo. (...) Não conversem tanto; ajam, estrebuchem, construam, façam asneiras com os materiais, gastem o dinheiro das férias em experiências e protótipos. Reinventem os clássicos, elaborem um plano, aprendam com os artistas, comuniquem como os políticos, iludam como os mágicos. Se não têm dinheiro façam biscates, cravem a família e com esses míseros euros arrisquem uma pré-série de um qualquer objecto por vós inventado, dêem-lhe um nome, façam uma brochura e partam à descoberta do mercado. Desculpem o à-vontade mas pode funcionar... No design vale tudo... desde que seja bom!" artigo retirado da blue design 6C 2008

Demasiado optimista ou realista ou mesmo surrealista, é um facto que se desenhou um sorriso em mim... e revi o que escrevi pela primeira vez no designation; "get excited and make things!"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Portuguese Design?

Embrenhada no pensamento do design português, de uma forma que já vem sendo habitual, atentando aos pormenores e decifrando algumas indústrias esquecidas por aí, lembrei-me deste pequeno objecto, sem saber se a sua criação pode ou não ser atribuída a Portugal, a um artesão qualquer que, por encomenda e através das bocas do povo fez chegar a todas as escolas a temível menina dos cinco olhos, sempre pronta a manter a ordem ao serviço do professor, outrora respeitado como jamais voltará a ser. Este é um assunto que pode parecer promissor no que toca ao desvendar de alguns objectos presentes na história do ensino português ao longo de todo o século XX. É incrível pensar que este objecto foi criado com o simples e único objectivo de sovar as mãos de alunos da escola aquando de alguma desordem, fosse ela qual fosse, utilizado pelas mais variadas razões, as mais e as menos razoáveis. A menina dos cinco olhos, também conhecida como a palmatória ou Santa Luzia pode bem ser atribuída a uma criação portuguesa do Estado Novo, ninguém nega que imagina tal cenário para a utilização de tal coisa, imaginando também que tenha sido abolida por volta de 1974, substituída por outros utensílios como a régua, que não tinha uma conotação unicamente violenta (só para alguns alunos).
Vou tentar investigar algo mais sobre este objecto absolutamente eficaz, com todo o mérito na função para que foi criado, caindo pesado sobre aqueles que davam "as mãos à palmatória".